Trabalho

PCP pede explicações ao Governo sobre a violação dos direitos dos trabalhadores e incumprimento do caderno de encargos nos bares dos comboios de longo curso da CP

Imprimir
Twitter

20260324 bar cpA concessão do serviço de bar nos comboios de longo curso da CP evidenciam bem o quanto errado é o caminho da externalização (outsourcing) que o governo pretende impor com o Pacote Laboral. A vida dos trabalhadores ficou pior e o serviço prestado aos utentes também.

Ao longo dos anos o Grupo Parlamentar do PCP vem denunciando e alertando o governo para situações de salários em atraso e para incumprimento de direitos, designadamente os que estão acordados no âmbito do Acordo de Empresa, livremente estabelecido entre a empresa e a FESAHT - Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal.

Alertado pelo PCP em maio de 2025, através da Pergunta 1390/XVI, o Governo respondeu que “A CP acompanha este contrato, designadamente garantindo o cumprimento do acordo de empresa aplicável de acordo com o estabelecido no Código do Trabalho”. Isto não corresponde à realidade, como se pode comprovar pela recibo de vencimento dos trabalhadores, pelas escalas de serviço ou pelos pré-aviso de greve que os trabalhadores têm em vigor porque continua a não ser cumprido o Acordo de Empresa, designadamente no que diz respeito a diuturnidades, prémios, ajudas de custo, subsídio de alimentação, horário de trabalho e trabalho ao fim de semana.

Mas também não corresponde à realidade o que o governo afirma quando diz na resposta enviada ao PCP que “o novo contrato de prestação de serviço de bares melhora a qualidade do serviço”. Na verdade, o governo simula não saber que a empresa concessionária não cumpre o caderno de encargos definido pela CP, nomeadamente com comboios de longo curso que não têm o bar em funcionamento, frequente falta de produtos, trabalhadores sem fardamento adequado, para lá de problemas de armazenamento e acondicionamento de produtos que nos foram relatados por trabalhadores.

Perante um incompreensível alheamento do Governo, os trabalhadores têm lutado pelos seus direitos e por um serviço de qualidade a prestar aos utentes dos comboios da CP. Nos 11 meses de funcionamento da atual concessão à ITAU os trabalhadores já fizeram 18 dias de greve.

O PCP, reafirmando a sua solidariedade com as reivindicações e luta destes trabalhadores e reiterando a sua posição quanto à consideração de que este serviço deve ser integrado na CP, questionou o Governo sobre que medidas pensa tomar para repor a legalidade, designadamente quanto às diuturnidades, prémios, ajudas de custo, subsídio de alimentação, horário de trabalho e trabalho ao fim de semana.

O deputado comunista Alfredo Maia quer ainda saber se o governo conhece os incumprimentos de contrato de concessão e que medidas tomou ou pensa tomar para garantir o cumprimento do estipulado no caderno de encargos.

 

Porto, 24 de Março de 2026

O Gabinete de Imprensa da DORP do PCP