Uma carta subscrita por 4 hospitais do Norte denunciou a situação precária dos doentes cardíacos. Para a DORP do PCP, não é aceitável a dispersão de meios e existência de serviços parciais; é preciso mais investimento no Serviço Nacional de Saúde.
Recentemente vieram a público notícias de uma carta subscrita por quatro hospitais do Norte – Santo António, Vila Real, Matosinhos e Penafiel – a alertar a ministra da Saúde para as listas de espera de doentes cardíacos que aguardam cirurgia ou implantação da válvula aórtica. Estas informações expuseram o panorama que se vive nesta área da saúde, evidenciando as consequências das políticas de desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde, bem como quem delas alimenta o seu negócio.
O PCP não admite que, à boleia da sobrecarga assistencial dos serviços nos hospitais de S. João e de Gaia, se multiplique serviços parciais e disperse meios, que se compita por profissionais e se esvazie a capacidade dos centros existentes. A saída destes profissionais colocaria em risco a resposta que actualmente é garantida (incluindo noutras situações de necessidade de cirurgia cardíaca e no apoio às urgências, que não as referidas substituições de válvulas). As populações perderiam cuidados e seria uma porta aberta à entrega destes procedimentos (altamente rentáveis) aos grupos privados.
Se, por um lado, este tipo de procedimentos envolve unidades altamente especializadas, equipas e cirurgiões muito diferenciados, com um número de doentes não tão elevado, justificando que os recursos se concentrem em menos hospitais, por outro, exige-se que essa disponibilidade cubra todas as áreas geográficas e garanta a resposta atempada e adequada às necessidades - o que, à semelhança de outras especialidades, não acontece.
Os responsáveis políticos têm procurado reduzir este tema à abertura ou não de novos centros de cirurgia cardíaca e à gestão dos escassos recursos existentes, fugindo ao essencial: que é a política de desinvestimento no SNS que tem vindo a ser seguida pelos sucessivos Governos (do PSD-CDS e do PS, agora com o apoio do CH e IL) que cria assimetrias e competição entre unidades de saúde até dentro das próprias ULS, sem nenhum benefício para os utentes. A situação em que estamos radica na desvalorização das carreiras, na entrega de serviços a prestadores externos, na contratação directa em detrimento da concursal, a que se soma a estratégia de definhamento de serviços menores e promoção da sua concentração.
É inaceitável que, a propósito de um preocupante problema, se agrave a situação e capacidade de resposta, quando há soluções e um caminho que serve a população e os profissionais a partir da defesa e valorização do Serviço Nacional de Saúde. Esse caminho implica enfrentar os interesses dos grupos privados da doença que beneficiam e engordam com o desespero de todos nós.
Para o PCP, a resposta às listas de espera e o alargamento da rede de cirurgia cardíaca, assim como de outras especialidades, exige capacidade de atrair e reter profissionais altamente especializados no SNS; exige estabilidade de equipas e condições de formação e diferenciação, integrando cuidados, acompanhamento e trabalho de enfermaria, para lá das cirurgias; exige fixação e valorização de profissionais de saúde, com o financiamento adequado do SNS.
Porto, 27 de Fevereiro de 2026
O Gabinete de Imprensa da DORP do PCP
